Observatório Ibérico de Energia
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Observatório Ibérico de Energia

Noticias 

#1792  

Energia

Entrevista ao Exp.

Só pela simpatia e boa informação do jornalista, e dado ele ter acedido a colocar-me as questões por escrito me decidi  responder. Conheço, todavia o poder do editor/censor, por isso aqui ficam essas. Poderão ter sido reduzidas....
Tiago Carrasco (T.C.): -Na sua perspetiva, Portugal continua a ser um país intrinsecamente anti-energia nuclear? Ou vê uma ameaça deste projeto nuclear voltar à agenda energética do país?
 Sim. Não há a mínima hipótese da nuclear, nas suas formas actuais nem nas suas formas imaginárias (fusão e S.M.R.s) ser implementada no nosso país, nem na Ibéria, onde está estabelecido um calendário escrito, com as empresas proprietárias das centrais, para o seu encerramento. Em meados da próxima década não haverá produção de electricidade a partir do aquecimento de água em chaleiras nucleares na Ibéria.
Razões económicas, lógicas da produção eléctrica, dados ambientais, questões de gestão dos territórios e oposição cívica. E fraudes científicas a serem desmascaradas.
T.C. - Aqui ao lado, em Espanha, o projeto nuclear avançou. Quais foram as diferenças entre os dois países ibéricos?
Em Espanha, como em Portugal, estiveram previstas dezenas de centrais nucleares, no nosso Plano Energético constavam 23 e em Espanha além dos 18 locais abaixo havia mais 19 solicitadas. E se em Portugal só em Ferrel houve trabalhos no terreno em Espanha os houve em muitas, em 18 locais, e desde logo algumas que tiveram a nossa participação na oposição Sayago e Valedecaballeros e só se construíram 10, ora só há 7.
Em Espanha houve dificuldade em coordenar a oposição, também pelo sistema de governo federal, e pela pressão tipo rolo compressor das eléctricas. Mas conforme se verifica só vão sobrar toneladas, muitas toneladas de resíduos radioactivos, que não se sabe onde vão parar, já estivaram previstas para a nossa fronteira (Aldeadavila) e para a região sísmica de Cuenca, nos dois casos estivemos na frente da oposição, na nossa fronteira foi uma luta de épica. Deveriam ser enviadas para os E.U.A. como o nosso reactor experimental de Sacavém, mas esse não tinha materiais de alta actividade...mas eles já não sabem o que fazer com os seus próprios resíduos.
 

Entrevista ao Exp.2

T.C.- Quais os principais problemas e ameaças nas centrais nucleares em Espanha? Isso pode afetar Portugal?
Como publicámos recentemente (a ADENEX, que colabora com o Observatório Ibérico de Energia) no magnífico livro “Amanecer Sin Almaraz”, Edição ADENEX, referimos que desde o inicio do funcionamento destas centrais houve centenas, centenas de incidentes ou acidentes, felizmente nenhum chegou ao grau III da escala dos acidentes nucleares, mas como é referido em relatórios de diversas universidades a radiação emitida pelas ditas provoca aumentos de cancros e leucemias no entorno. Portugal corre o risco de em caso de qualquer problema nesse grau (III), de contaminação e até de evacuação (lembremos que um raio de 100 Km é estabelecido em caso de acidente III). As águas do Tejo, mal monitoradas, apresentam também riscos neste caso permanentes, embora difusos.
T.C.-Falou-me de um perigo de resíduos radioativos nos Açores. Pode explicar-me sucintamente o problema?
 Os Açores estão na zona da fossa Atlântica abrangida pela influência das emissões dos resíduos radioactivos lançados nessa e filmados em barris rotos pelo comandante Cousteau. Na Terceira há terrenos contaminados pelo uso de armamento, assim como taxas de cancros e leucemias acima do normal nas zonas circundantes da base das Lajes, pela utilização de armamento com urânio.
Hoje com a utilização intensiva as contaminações são crescentes, sendo impossível que uma bomba nuclear do Irão nos atinja. É que não há, nunca houve nem em projecto, nem haverá, pois essa demoraria, em condições normais, 3 a 5 anos a ser construída, a partir do enriquecimento do Urânio.
 

Entrevista ao Exp.3

T.C.- A UE lançou recentemente a sua estratégia relativamente ao nuclear, com países com a Bélgica, a Polónia e Itália a parecerem muito empenhadas na reativação/construção de reatores. Qual a sua opinião sobre estes desenvolvimentos mais recentes?
 É mais o semear de ilusões. Mais depressa construirão nucleares na Lua.
A Itália não encontra financiamento para qualquer aventura nuclear (nem condições políticas), e segundo especialistas introduzir essa discussão “tem só como objectivo afastar a atenção do público para manter a fileira do gás”. Na Bélgica o prolongamento de 2 das 4 centrais nucleares é um canto de finados de novas... que parecem os mexilhões...mexem e não saem do sítio. Na Polónia a situação é ainda mais complexa...tinham previsto ter um reactor em 2036,  mas já foi adiado para 2040 ou 50 e julgo que se terá que acrescentar para as calendas, este o futuro da nuclear na Polónia e a Rússia está ali ao lado.
A nuclear desde a extracção do urânio, ao enriquecimento, do transporte à construção, da formação ao controle social e ambiental, do contributo, que se tem metido debaixo do tapete mas que não é, não é nada negligenciável, para o aquecimento global e as alterações climáticas (ainda por cima com muitas centrais a terem que parar ... por falta de água para aquecer nas chaleiras) continua a ser uma mentira e uma manipulação, para a qual a informação da hegemonia tem sido aliada.
Mas os promotores dessa tecnologia, imperfeita, perigosa, altamente poluente, podem chamar-lhe verde mas é, é um enorme fiasco, a todos os níveis. Mas paga, paga muito bem até a uns escribas que tem voz por aqui... e tenho que concluir dizendo são uns mentirosos. É radioactiva para sempre. Ponto.

Até, até na Figueira da Foz

temos a Coopérnico em movimento:
https://www.figueiranahora.com/sociedade/coopernico-e-figueira-da-foz-em-projeto-de-energia-renovavel
a a mexer....

Música

Im memorium

Não posso deixar sem uma menção e tristeza. Melim Mendes há alguns anos vivia no esquecimento da vida, embora lembrado pelos amigos nas tertúlias onde ele sempre houvera feito figura. Era além de um personagem, um picaresco, sempre com estórias e elementos rocambolescos para contar e protagonizar. Claro que não é por isso que aqui o trago. Participou nos processos de "organização" energética nacional e colaborou connosco, nomeadamente no saudoso C.E.E.E.T.A., foi um dos elementos na base da Agência de Energia da Madeira e era um coleccionador de postais, produziu dois ou três livros com esses a fazer a memória da sua ilha.
Passámos juntos momentos de grande intensidade. Um registo, este, de boas memórias.
     
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