Amanhecer sem Almaraz e sem Ferrel |
Estamos perto de comemorar os 50 anos da marcha do povo de Ferrel que foi, por assim dizer, o tiro de partida, embora já houvesse aquecimento em movimento, mas foi mesmo o tiro de partida para o fim da nuclear em Portugal.
Foram tempos de épica, a luta foi dura, tivemos confrontos intensos, seja no terreno, seja no embate com os procéres políticos da época, houve momentos risíveis (por exemplo quando o deputado do PPM Luis Coimbra, (de onde lhe saiu a ideia, chegana) propôs na AR que em vez de Ferrel, Portugal investisse na central de... Sayago, que na altura já estava debaixo do nosso radar e também não se fez!!!.
Frentes a frente com o primeiro ministro Mário Soares, que mais tarde me confessaria (e o mais incrível foi que Veiga Simão também me confessaria, pessoalmente!, isso) que sempre fora contra a nuclear, uma vez até uma amiga nossa brasileira tremia quando saímos da residência oficial e me perguntava - e agora vamos todos presos?, claro no Brasil era o regime dos generais e ela achava que confrontos como o que tínhamos tido davam prisa. Era assessor e tradutor do 1ª ministro o diplomata Francisco Ribeiro Telles, o Charles disse-me que só o ouvia -"and now Mr., Eloy is attacking again the prime minister", pois frentes a frente com ele foram muitos...
Estórias do Plano Energético Nacional também tem muito picaresco, mas na altura já havia (como só então?) a falha de Ferrel. Infelizmente se bem que tenhamos evitado a nuclear em Alqueva não evitou, também lá está debaixo uma falha, o actual monstro, que oxalá não nos dê mais problemas.
Aqui no OIE sabe tudo, vê tudo no olho a piscar, e se aparecer em Évora saberá mais. |
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