Entrevista ao Exp.2
T.C.- Quais os principais problemas e ameaças nas centrais nucleares em Espanha? Isso pode afetar Portugal?
Como publicámos recentemente (a ADENEX, que colabora com o Observatório Ibérico de Energia) no magnífico livro “Amanecer Sin Almaraz”, Edição ADENEX, referimos que desde o inicio do funcionamento destas centrais houve centenas, centenas de incidentes ou acidentes, felizmente nenhum chegou ao grau III da escala dos acidentes nucleares, mas como é referido em relatórios de diversas universidades a radiação emitida pelas ditas provoca aumentos de cancros e leucemias no entorno. Portugal corre o risco de em caso de qualquer problema nesse grau (III), de contaminação e até de evacuação (lembremos que um raio de 100 Km é estabelecido em caso de acidente III). As águas do Tejo, mal monitoradas, apresentam também riscos neste caso permanentes, embora difusos.
T.C.-Falou-me de um perigo de resíduos radioativos nos Açores. Pode explicar-me sucintamente o problema?
Os Açores estão na zona da fossa Atlântica abrangida pela influência das emissões dos resíduos radioactivos lançados nessa e filmados em barris rotos pelo comandante Cousteau. Na Terceira há terrenos contaminados pelo uso de armamento, assim como taxas de cancros e leucemias acima do normal nas zonas circundantes da base das Lajes, pela utilização de armamento com urânio.
Hoje com a utilização intensiva as contaminações são crescentes, sendo impossível que uma bomba nuclear do Irão nos atinja. É que não há, nunca houve nem em projecto, nem haverá, pois essa demoraria, em condições normais, 3 a 5 anos a ser construída, a partir do enriquecimento do Urânio.