Carta ao Público
Sr. Director do jornal Público
O jornal que V. dirige tem vindo a publicar, pelo menos desde a edição de 17 de Outubro de 2022, quando entrevistou uma pseudo-ecologista finlandesa que defende a energia nuclear, uma série de artigos apologistas desta forma de energia, sem dar lugar ao contraditório, apesar dos alertas que foram manifestados ao Provedor do Leitor.
Na sua edição de 9 de Fevereiro último, o jornal publicou um texto inenarrável de um biólogo dito divulgador de ciência, o qual demonstra nada perceber do assunto – um biólogo pronuncia-se sobre energia nuclear, sem mencionar o efeito das radiações no corpo humano?
E ignora o longo historial de revezes tecnológicos, económicos e financeiros, os numerosos acidentes, desastres e paragens, os graves problemas do chamado ciclo do combustível (nomeadamente as mortes por cancro em minas – vide caso das minas portuguesas - e instalações de reprocessamento e de enriquecimento), opinando com ligeireza sobre o grave problema ainda não resolvido do armazenamento definitivo do combustível utilizado. Apresenta números falsos de mortos com o acidente de Fukushima e não aborda o número de vítimas no caso de Chernobyl, ainda com uma alargada zona de exclusão da população; e também o caso de Three Mile Island (1979), nos EUA, em que a fusão de parte do núcleo só há pouco foi conhecida, pois este sector também se caracteriza pela sonegação de informação.
Depois, apresenta números que pretendem absolver a energia nuclear civil das suas nefastas consequências, citando argumentos que eram defendidos pelos nuclearistas nos anos 70 do Século XX.
Acusa ainda os ambientalistas de confundirem a energia nuclear civil com a militar, o que é falso na generalidade dos casos, sendo embora o processo tecnológico o mesmo.
Mas, pior ainda, resolve atribuir culpas aos defensores das energias renováveis pelas mortes decorrentes da exploração de carvão. Além de todas as actividades industriais poderem ser acusadas de mortes, os ecologistas e os defensores de energias renováveis sempre condenaram a utilização de carvão nas centrais térmicas. Trata-se de uma ignomínia intolerável.
Nem sequer mencionamos o título que deveria ser ao contrário, “O activismo anti-nuclear salvou milhares de vidas”, sendo que como é óbvio o publicado é do pior populismo e demagogia.
Esta carta, pessoal, é só para o alertar da total falha deontológica do jornal que V.Exa dirige
Carta ao Público, é assinada por
António Eloy, Ex-Professor Universitário, escritor
António Cândido Franco, Professor Universitário
António Mota Redol, Engenheiro, ex-quadro da Junta de Energia Nuclear, membro aposentado do Planeamento de Novos Centros Produtores da EDP e da REN
Carlos Pimenta Engenheiro, Ex-Secretário de Estado do Ambiente
Fernando Santos Pessoa, Arquitecto Paisagista, ex-Director do SNPRCN (actual ICNF)
Henri Baguenier, Professor Universitário de Economia da Energia em Portugal e França
José Carlos Costa Marques,Editor, pioneiro da Ecologia em Portugal
Manuel Collares Pereira, Engenheiro, estágio de licenciatura em Energia Nuclear na Alemanha, Professor Universitário, Investigador em Energias Renováveis, membro da Academia das Ciências
Fogos ameaçam nucleares
nada que não seja, cada vez mais, expectável:
https://www.commondreams.org/news/texas-wildfire
e a repetir-se.
Importante discutir
este artigo:
mas infelizmente andamos bloqueados.
Um jornal sem deontologia
Amanhã aqui traremos uma carta que um conjunto de pessoas dirigiu ao Público, há uma semana, mas sei que outras (pelo menos 2 de organizações respeitáveis) sobre o mesmo tema (um artigo ignorante de um putativo comentador, mas em linha com a ideologia do jornal, pró nuclear) foram ao director dirigidas.
Pois total, total desprezo e sobranceria, nem sequer um arremedo de resposta. Sei de várias pessoas que cancelaram assinaturas e eu que ainda comprava de vez em quando, nunca mais. Em conversa com alguns dos subscritores perguntávamo-nos a razão porque o grupo proprietário e logo a direcção do jornal há talvez dois ou três anos não dá senão voz aos nuclearistas, que como sabemos em Portugal e na Ibéria estão a fechar e, mesmo, a nível internacional, não conseguem ressuscitar embora façam muito ruído. Mas a obsolescência, o monetarismo liberal fazem a hegemonia.....felizmente há Luar. E o Olho Vivo.
Da guerra
o nosso querido amigo Chema aqui faz uma brilhante análise do texto de Von Clausewitz:
https://www.elsaltodiario.com/
que com poucos outros teóricos, recordo Sun Tzu e Castoriadis, analisa a guerra no seu fundo
O nazi do IKEA
aprendemos no excelente documentário:
que se pode ver no Arte. O branqueamento, a destruição das florestas com a bandeira verde. Já conhecemos há muito, e também as origens nazis de algum pensamento de conservação do ambiente. Sempre o temos denunciado. O fundador do IKEA foi sempre nazi.
na cuna da informação
Pela Sustentabilidade do território
Um grupo de queridos amigos apresenta o documento que anexo.
um bom exemplo
e uma bofetada na U.E.!
a nuclear não é verde, nem será.