não é só por cá
que o desordenamento e a péssima ocupação do território tem as graves consequências que sabemos:
construir em leitos de cheia ou debaixo ou em cima de zonas de grande e fácil erosão, ocupar áreas classificados como corredores ecológicos ou destruir solos agrícolas, e usá-los para plantações intensivas e absurdas. é sinal de pouco esclarecimento....
Um país em demência
Aconselho ver um programa da RTP1 passado ontem a seguir ao telejornal (Na linha da frente). Uma história de demência total, aliás viram-se vários personagens manifestamente com essas características, sobre a plataforma de lançamento de foguetes a partir da ilha de Sta Maria.
Não há nada que o recomende, e sobretudo não há qualquer, qualquer avaliação de impacte ambiental para uma actividade de ilusionistas, que comporta inúmeros riscos de destruição ambiental e enormes para a saúde e vida das populações.
E não percebo, não percebo o investimento de milhões do nosso orçamento num disparate destes, que o mais provável é estoirar, estoirar completamente, vai tudo para o buraco
Faz-me lembrar os projectos da fusão nuclear (para o próximo século ou o seguinte) e os reactores modulares que só existem na imaginação (de outros tontos)
Uma entrevista para saborear
Com respostas notáveis:
https://www.elsaltodiario.com/derechos-humanos/adolfo-perez-esquivel-europa-ha-perdido-voz
e com a qual temos muitos, muitos acordos.
Café
Pois já aqui escrevi, a convite de Nabeiro visitámos (eu e o Nuno Farinha) o centro de Interpretação do Café, em Campo Maior, acompanhados pela então directora. Apresentámos um projecto para edições para falar desse e dos problemas que enfrenta. Ficou em águas de bacalhau, nunca tivemos resposta:
tudo isso já tínhamos diagnosticado....
cont...
como se não fossem as câmaras a elaborar os PDM's e a receber as verbas das licenças de construção, do IMI, das taxas e emolumentos municipais, do estacionamento, IUC’s etc. As autarquias agem como se não tivesse havido tempo ainda para prevenir situações de direitos adquiridos não estivéssemos já a lidar com a 4ª geração de PDM's e com 40 anos de experiência nestas matérias.
(...) As autarquias dispõem de um amplo edifício legislativo, como os Planos de Ordenamento da Orla Costeira (Pooc's,), Reserva Agrícola Nacional (RAN), Reserva Ecológica Nacional (REN), Domínio Público Hídrico Domínio Público Marítimo, entre outros instrumentos de ordenamento do território, que se fossem cumpridos retirariam o risco, para pessoas e bens, da equação das consequências dos fenómenos naturais.
O que é que fazem as autarquias? Em vez de verterem estes instrumentos de ordenamento do território nos PDM´s, que elas próprias elaboram, tentam todos os subterfúgios e jogadas, muitas vezes plenas de ilegalidade, para deixarem de cumprir a lei e elaborarem PDM's a pedido que servem apenas o lóbi do betão, da construção e das irregularidades. Porque é que existem edifícios com menos de 40 anos em leito de cheia e construções em locais com declives superiores a 45% (REN)? Qual a razão da ocupação do Domínio Público Hídrico e Marítimo e da construção no litoral fazendo tábua rasa daquilo que os (Pooc's) determinam?
Porquê? Só há uma resposta para estas questões - porque as Câmaras Municipais o permitiram! E, mais grave, muitas vezes fomentaram.
(...)
Jaime Dias Santos
Biólogo e Engenheiro do Ambiente
Corais, também
em caminho de extinção...
e com múltiplas consequências
E para completar o texto que o Fernando envia
Sou um apologista do Poder Local e da importância que num regime democrático os Municípios podem - devem - ter.
O renascimento é de facto "bullshit"
como nos diz um grande especialista neste artigo, de alta q.:
https://www.sgr.org.uk/
é que nada daquilo funciona, nada daquilo se paga, nada daquilo existe....e nem sequer os riscos também ambientais são abordados...
Reformismo ambiental
mas que protege o ambiente e a saúde:
mas é insuficiente para mudar o paradigma
Uma opinião, enviada por Fernando S.Pessoa, com cortes (...) nossos
(...) Ouvimos especialistas de todas as áreas concordarem com o facto de que o risco para as populações e os prejuízos vários que o país tem aquando de catástrofes, como os incêndios rurais e os extremos climáticos, estão directamente relacionados com o desordenamento do território. Basta circular pelas estradas e verificar o caos urbanístico, o caos do desordenamento e a fealdade em que se transformou grande parte do nosso território. (...)
Primeiro foram as rotundas, depois as estradas para todo o sítio, os parques industriais, os pavilhões multiusos e mais recentemente as ciclovias e os passadiços. Não é necessário ser, sequer, muito atento ou muito informado para verificar que todas estas realidades aconteceram por ondas, por modas, num espírito de competição com a freguesia ou o município vizinho e raramente por corresponder às necessidades reais das populações.
Grande parte destas construções surgiram em terrenos de Reserva Ecológica Nacional (REN) ou de Reserva Agrícola Nacional (RAN), muitas outras surgiram em locais improváveis, longe de populações, em locais com uma topografia que encareceu desmesuradamente a obra. Facilmente se percebe que o verdadeiro interesse ali era, digamos, particular, em detrimento dos interesses legítimos das populações. Nunca vi uma câmara fazer nada em prol da conservação da natureza que não implicasse construção, nunca vi uma câmara aplicar recursos financeiros para por exemplo comprar terrenos importantes para a conservação, apoiar a reconstrução de habitats, reintroduzir espécies ou produzir posturas municipais que fossem no sentido da salvaguarda do território. Assisto, isso sim, à constante impermeabilização de solos, abertura de estradas que não interessam nada à mobilidade, promoção de novos parques industriais onde os mais antigos ainda estão longe de estar saturados. Depois, para desculpar tudo isto, entra em cena uma infernal e cara máquina de propaganda exaltando, de uma forma completamente desproporcionada, a preservação de uns parcos metros quadrados de dunas ou uma, muitas vezes ridícula e fora de época, plantação de árvores autóctones.
Quando os erros de planeamento ou de urbanismo são tão grandes que geram visível descontentamento e alarme entre as populações, os responsáveis autárquicos desculpam-se sempre com a história dos "direitos adquiridos" e com o "estava previsto nos PDM's" como se não fossem as câmaras a elaborar os PDM's e a receber as verbas das licenças de construção, do IMI, das taxas e emolumentos municipais, do estacionamento, IUC’s etc. As autarquias agem como se não tivesse havido tempo ainda para prevenir situações de direitos adquiridos não estivéssemos já a lidar com a 4ª geração de PDM's e com 40 anos de experiência nestas matérias.
(...) As autarquias dispõem de um amplo edifício legislativo, como os Planos de Ordenamento da Orla Costeira (Pooc's,), Reserva Agrícola Nacional (RAN), Reserva Ecológica Nacional (REN), Domínio Público Hídrico Domínio Público Marítimo, entre outros instrumentos de ordenamento do território, que se fossem cumpridos retirariam o risco, para pessoas e bens, da equação das consequências dos fenómenos naturais.
O que é que fazem as autarquias? Em vez de verterem estes instrumentos de ordenamento do território nos PDM´s, que elas próprias elaboram, tentam todos os subterfúgios e jogadas, muitas vezes plenas de ilegalidade, para deixarem de cumprir a lei e elaborarem PDM's a pedido que servem apenas o lóbi do betão, da construção e das irregularidades. Porque é que existem edifícios com menos de 40 anos em leito de cheia e construções em locais com declives superiores a 45% (REN)? Qual a razão da ocupação do Domínio Público Hídrico e Marítimo e da construção no litoral fazendo tábua rasa daquilo que os (Pooc's) determinam?
Porquê? Só há uma resposta para estas questões - porque as Câmaras Municipais o permitiram! E, mais grave, muitas vezes fomentaram.
(...) Jaime Dias Santos,Biólogo e Engenheiro do Ambiente