Uma opinião, enviada por Fernando S.Pessoa, com cortes (...) nossos
(...) Ouvimos especialistas de todas as áreas concordarem com o facto de que o risco para as populações e os prejuízos vários que o país tem aquando de catástrofes, como os incêndios rurais e os extremos climáticos, estão directamente relacionados com o desordenamento do território. Basta circular pelas estradas e verificar o caos urbanístico, o caos do desordenamento e a fealdade em que se transformou grande parte do nosso território. (...)
Primeiro foram as rotundas, depois as estradas para todo o sítio, os parques industriais, os pavilhões multiusos e mais recentemente as ciclovias e os passadiços. Não é necessário ser, sequer, muito atento ou muito informado para verificar que todas estas realidades aconteceram por ondas, por modas, num espírito de competição com a freguesia ou o município vizinho e raramente por corresponder às necessidades reais das populações.
Grande parte destas construções surgiram em terrenos de Reserva Ecológica Nacional (REN) ou de Reserva Agrícola Nacional (RAN), muitas outras surgiram em locais improváveis, longe de populações, em locais com uma topografia que encareceu desmesuradamente a obra. Facilmente se percebe que o verdadeiro interesse ali era, digamos, particular, em detrimento dos interesses legítimos das populações. Nunca vi uma câmara fazer nada em prol da conservação da natureza que não implicasse construção, nunca vi uma câmara aplicar recursos financeiros para por exemplo comprar terrenos importantes para a conservação, apoiar a reconstrução de habitats, reintroduzir espécies ou produzir posturas municipais que fossem no sentido da salvaguarda do território. Assisto, isso sim, à constante impermeabilização de solos, abertura de estradas que não interessam nada à mobilidade, promoção de novos parques industriais onde os mais antigos ainda estão longe de estar saturados. Depois, para desculpar tudo isto, entra em cena uma infernal e cara máquina de propaganda exaltando, de uma forma completamente desproporcionada, a preservação de uns parcos metros quadrados de dunas ou uma, muitas vezes ridícula e fora de época, plantação de árvores autóctones.
Quando os erros de planeamento ou de urbanismo são tão grandes que geram visível descontentamento e alarme entre as populações, os responsáveis autárquicos desculpam-se sempre com a história dos "direitos adquiridos" e com o "estava previsto nos PDM's" como se não fossem as câmaras a elaborar os PDM's e a receber as verbas das licenças de construção, do IMI, das taxas e emolumentos municipais, do estacionamento, IUC’s etc. As autarquias agem como se não tivesse havido tempo ainda para prevenir situações de direitos adquiridos não estivéssemos já a lidar com a 4ª geração de PDM's e com 40 anos de experiência nestas matérias.
(...) As autarquias dispõem de um amplo edifício legislativo, como os Planos de Ordenamento da Orla Costeira (Pooc's,), Reserva Agrícola Nacional (RAN), Reserva Ecológica Nacional (REN), Domínio Público Hídrico Domínio Público Marítimo, entre outros instrumentos de ordenamento do território, que se fossem cumpridos retirariam o risco, para pessoas e bens, da equação das consequências dos fenómenos naturais.
O que é que fazem as autarquias? Em vez de verterem estes instrumentos de ordenamento do território nos PDM´s, que elas próprias elaboram, tentam todos os subterfúgios e jogadas, muitas vezes plenas de ilegalidade, para deixarem de cumprir a lei e elaborarem PDM's a pedido que servem apenas o lóbi do betão, da construção e das irregularidades. Porque é que existem edifícios com menos de 40 anos em leito de cheia e construções em locais com declives superiores a 45% (REN)? Qual a razão da ocupação do Domínio Público Hídrico e Marítimo e da construção no litoral fazendo tábua rasa daquilo que os (Pooc's) determinam?
Porquê? Só há uma resposta para estas questões - porque as Câmaras Municipais o permitiram! E, mais grave, muitas vezes fomentaram.
(...) Jaime Dias Santos,Biólogo e Engenheiro do Ambiente
A verdadeira agricultura
é esta:
https://www.resurgence.org/magazine/article5239-soil-the-magic-ingredient.html
que protege os solos e a biodiversidade.
Burros de Miranda
Pois assim, por aqui e por ali vão andando:
De um dos nossos grandes
Ralph Nader sobre Trump:
https://www.commondreams.org/opinion/bully-trump
é um histórico na defesa do consumidor e dos direitos cívicos e autor de obras de grande importância nessas áreas.
In memorium
Chegou-me a notícia do passamento do Miguel A. Jardim, companheiro na A.I., nos tempos em que a secção portuguesa era activa e efectiva e não uma mera burocracia, e também dos Amigos da Terra.
https://setemargens.com/miguel
tinha há cerca de 35 anos desaparecido do meu radar e sei que passou por tempos de desvario "ideológico" antes de desaparecer também do social efectivo.
Lobos, uma réstea...
por aqui, talvez:
https://www.elsaltodiario.com/lobo/tribunal-supremo-tumba-cupo-caza-asturias
mas desde que se escreveu que que um mamífero da Ursula foi comido por um que a coisa está má....enganou-se no dito....
Relatório oficial
Que é sempre útil, para ver o que o poder diz:
https://www.iea.org/reports/world-energy-outlook-2025
e ler nas entrelinhas.
Armadilhas
Mais um excelente livro que ilustra as armadilhas que enfrentamos:
https://signos.blogspot.com/search/label/Apocalipse%20%28in%29certo
escrito por uma enorme variedade de teóricos/práticos dos nossos, não se perde uma. A lógica do novo capitalismo, proteccionista, populista, iliberal (mesmo quando disfarçado de liberal ou libertário, e nesse caso temos que desmascará-lo!), e com muitas estórias a ilustrá-lo.
As cheias e Lisboa
Tenho dúvidas em relação a este sistema, mas....
https://amensagem.pt/2026/02/07/cheias-tempestades-plano-drenagem-novo-normal-lisboa/
vamos ver....